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QUANTA INOCÊNCIA!

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Divulgação. Quanta inocência!  A condenação do ex-presidente Lula veio com um misto de esperança e decepção e me fez relembrar sua trajetória desde que chegou à presidência. Botei tudo na balança da moralidade e da ética e cheguei à conclusão de que infelizmente vivemos um retrocesso. Na campanha presidencial de 2002 enxerguei a justiça social caminhando por um horizonte promissor e real. Foi um momento em que o povo se sentiu mais parte deste país, tendo enfim um presidente metalúrgico, um legítimo representante das minorias. Logo criou o programa “Fome Zero”, em 2003, na tentativa de erradicar a fome. A iniciativa, uma substituição ao programa “Comunidade solidária”, coordenado pela ex- primeira dama e saudosa D. Ruth Cardoso garantiu ainda mais seu eleitorado. Lula mostrou astúcia e incorporou o “Fome Zero” ao famigerado programa “Bolsa família”, que agregou o “Bolsa escola”, criado em 2001, e ampliou-o, com o pagamento de mensalidades à população de baixa re...

UM JEITO LIVRE DE EXPRESSAR

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André Miguel Texto publicado originalmente no jornal panorâmico em 2011. Ouvir música é um exercício, um passa tempo, é dançar e apreciar. A prendi cedo que canções despertam a memória, reativam principalmente as boas lembranças. Quando a sonoridade entra em conformidade com a letra, cria-se uma atmosfera factual que registra um mero momento, como se a música fosse a responsável pela arte final ao dar identidade e forma à lembrança em questão. A canção torna-se a chave da porta nostálgica. Os grandes filmes não seriam os mesmos sem as trilhas sonoras do cinema. Enfim, tem música para todos os gostos. Entre os gêneros musicais, o black music sempre me chamou a atenção pela sinceridade. É música feita com alma e protesto, devido às históricas injustiças cometidas contra a população negra. Contém elementos de lutas raciais e políticas, como o conteúdo do incrível What’s Going Gon (1971) , de Marvin Gaye, considerado pela crítica especializada, um do...

A trajetória de um capitão

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Foto: Moysés Tomazoli André Miguel Entrevista originalmente publicada na revista "You Mag" em 2010 Foto: Moysés Tomazoli e divulgação. A história do futebol brasileiro seria outra se o goleiro Zoff da seleção italiana não tivesse defendido um cabeceio certeiro no finzinho da partida que decretou a desclassificação do Brasil na Copa de 82, na Espanha, quando o placar anunciava 3 a 2 para a Itália, com os brasileiros precisando apenas de um empate. O franco favoritismo da seleção canarinho, dirigida pelo técnico Telê Santana, caía ali.            O autor do lance? José Oscar Bernardi, nascido e criado em Monte Sião – MG, zagueiro daquela seleção, considerada até hoje, como uma das melhores já vistas na história do esporte mais amado do planeta. Vinte e sete anos após a derrota, Oscar, que chegou a vestir a braçadeira de capitão daquele time, ainda recebe correspondências contendo fotos e reportagens veiculadas pel...

Lições do Futebol

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André Miguel T exto originalmente publicado na revista "You Mag" em 2010. Grande parte dos garotos brasileiros sonha um dia em se tornar jogadores de futebol. Escolha que exige talento, sorte, perseverança, personalidade, entre outros atributos necessários para o alcance da dimensão de tal êxito. Um sonho difícil, mas não impossível. Cafú, o capitão do penta, por exemplo, foi reprovado por várias vezes em peneiras de diversos clubes antes de se tornar o jogador que mais vezes vestiu a amarelinha. A sensação de derrota é algo inevitável para quem fica no meio do caminho; esbarra nas dificuldades naturais da caminhada que pode acabar cedo. Talvez este seja o momento da primeira grande frustração de quem está apenas começando a viver, contudo, o que se aprende nessa fase pode ser essencial para o resto da vida. Amizades são construídas em campinhos improvisados de terra, nas quadras esportivas, nos estádios municipais, nas escolinhas de futebol ou até mesmo na...

O cinema com o olhar sobre a nova sociedade brasileira

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Dois grupos partidários se revezaram no poder nos últimos 15 anos e transformaram bruscamente o contexto político nacional, com a turbulenta guerra ideológica, que dividiu socialmente a população em dois extremos. E a arte, neste caso a sétima arte, com seu importante papel de demonstrar sensibilidade, com um olhar humanista adequado para a nova situação que nos encontramos, vem trazendo às telas obras primas que marcam este novo tempo, esta nova sociedade brasileira. É muito bom ver o cinema nacional produzindo obras importantes com grande fôlego, assumindo uma postura contundente e com forte apelo sobre a atual realidade cotidiana na qual estamos inseridos. Dois filmes me chamaram muito a atenção ao retratar a nova faceta do país. “Que Horas Ela Volta?” e o mais recente “Aquarius”. O primeiro, conta a história de uma aluna nordestina, que almejando chegar à universidade pública, muda-se para São Paulo e vai morar na casa dos patrões de sua mãe, o que gera situações inusitadas e...

Máfia e Cinema: uma combinação fascinante

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Coincidentemente, a "Cosa Nostra" surgiu naquela ilha quando observada no mapa parece estar sendo chutada pela bota que geograficamente faz a forma da Itália: a Sicília. Não se sabe ao certo, mas na versão do historiador americano Norman Lewis, em seu livro "A Máfia por Dentro", a confraria começou no século IX, quando os normandos dominaram os sarracenos, muçulmanos que viviam na Sicília. Sem terras, muitos deles tornaram-se servos e outros lavradores se refugiaram nas montanhas. A ação se deu, primeiramente, contra os dominadores da maior parte daquela região. Vandalismos com gados e plantações só eram sanados em acordo com os dissidentes, sempre prontos para negociar.  A integridade dos senhorios que, até então desconheciam tal capacidade de afronto, estava ameaçada. A alta rebeldia calculada não passava de um mero instrumento para a retomada do território. Iniciava-se, assim, a prática da frieza sorrateira, dominadora e introduzida por uma comunidade com...

Sustentados pelo merecimento

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Uma mulher que muda bruscamente a vida de um homem. Situação corriqueira, mas que se torna original quando um romance tem a capacidade de superar obstáculos, não obstante a violência, pela necessidade de dar continuidade a uma bela e perigosa história de amor. Roteiro de Quentin Tarantino, com direção de Tony Scott - o mesmo de “Top Gun - Ases Indomáveis” - Amor à Queima Roupa (True Romance), lançado em 1993, conta a história do balconista Clarence, interpretado por Cristian Slater, que trabalha em uma loja de revistas em quadrinhos. Clarence é um sujeito solitário, meio nerd e fã de Elvis Presley (Val Kilmer), de quem recebe delirantes conselhos durante o filme. No dia de seu aniversário, ele conhece Alabama, vivida pela excelente Patrícia Arquette. Mesmo após descobrir que a moça foi mandada por seu patrão como presente de aniversário, ele se apaixona porque compartilham gostos: quadrinhos de super-heróis, filmes asiáticos de artes marciais e batata frita. Se conhecem no cinema e cas...

Personagens entre o consumo e o combate

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O consumo desenfreado de drogas nos anos 70 mobilizou a divisão de narcóticos da polícia estadunidense. Agentes infiltrados convivendo com a nata da bandidagem compartilhavam até seringas com os junks mais sinistros do pedaço, no mais variado consumo de entorpecentes. Tática utilizada pelos cops para coibir o tráfico incessante naquele período, que gerou uma situação conflitante, onde o certo e o errado conviviam juntos, misturados. Uma ambiguidade fortemente retratada através do cinema em 1991. Agentes que não deixavam de ser viciados, mas que trabalhavam no combate ao mal que se instalava por lá. Dois policias navegam num drama, em um ambiente de total degradação e incertezas, vivendo numa atmosfera soturna entre o ideal profissional e o necessário habitat dos drogados, em dois universos de certa forma distintos: crime e profissão. “Rush - Uma Viagem ao Inferno”, dirigido por Lili Fini Zanuck, extrai a angústia de quem decide por intervir em um ambiente onde os fracos realmente não...

Um por todos, todos por um!!

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Qual mensagem se tornaria marcante em um filme que se baseia num conto do escritor Stephen King, autor de “Cemitério Maldito” e “Colheita Maldita”, além das lembranças de uma passagem da vida em que os filmes de terror causavam tanto medo, compartilhado com os amigos em sessões de cinema ou na casa de algum camaradinha que ostentava um vídeo cassete? Quem nasceu, pelo menos no começo dos anos 80 e gostava de assistir filmes, deve saber que o cinema feito para o público juvenil nessa década prezava por cada uma das amizades que começavam ali. “Indiana Jones”, “Os Fantasmas se Divertem”, “Os Goonies”, “Os Caça-Fantasmas”, “Inimigo Meu” e “De Volta para o Futuro” são apenas alguns exemplos de que a sétima arte é uma das responsáveis por não deixar romper a tênue linha que liga o passado ao presente. Como se as lembranças remetentes aos mais nobres momentos da infância estivessem essencialmente ligadas à linguagem do cinema infanto-juvenil anos 80 e atreladas às descobertas conjuntas no en...

"Os Bons Companheiros": politicamente incorreto?

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O talento do diretor Martin Scorsese dividiu as águas do cinema pop em 1990 com “Os Bons Companheiros”. Paradigmático, puxou a fila de filmes como “Pulp Fiction”, “Trainspotting”, “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e outros do mesmo gênero. O já consagrado cineasta apresentou técnicas apuradas para a época. As tomadas em plano-sequência e o rítmo frenético desenrolam o longa. Os recursos utilizados na edição causam a impressão de que o filme é mais longo do que as duas horas e vinte cinco minutos de duração. A fotografia é primorosa. Como não poderia ter sido diferente, deu tudo muito certo. A academia tanga frouxa fingiu não perceber a inovação e deu o Oscar à “Dança com Lobos” em 1991. Scorsese não sabia que só ganharia o estatueta quase vinte anos depois com “Os Infiltrados”, ao dizer na época do lançamento de “Goodfellas”(título original), de que aquele filme de máfia protagonizado por Robert de Niro, Ray Liotta e Joe Pesci era sua grande aposta, entre toda sua obra, p...

A liberdade não tem destino

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1969. No auge da cena Sexo, Drogas e Rock’n Roll surge “Easy Rider”, road movie ambientado bem na era da grande transformação política, comportamental, social, estilística, entre tantas outras que a geração coca-cola não teve a oportunidade de acompanhar em tempo real. Impulsionando o movimento dos motoqueiros, hoje chamados motociclistas, “Sem Destino”, como é conhecido em português, é um ícone da contracultura. Os protagonistas são dois motociclistas, Wyatt ou 'Capitão América' (Peter Fonda) e Billy ( Dennis Hopper). Fonda e Hopper disseram que estes dois personagens referem-se a Wyatt Earp e Billy the Kid. Wyatt veste-se de cabedal adornado com a bandeira americana, enquanto Billy se veste com calças e camisa ao estilo dos nativos americanos. A direção é de Hopper, a produção de Fonda e o roteiro, de ambos. São dois doidarrões vindos sabe-se lá de onde. Os personagens pouco se falam, mas a honestidade transmitida pelos atores em forma de expressão corporal, principalmente de...